sábado, 7 de janeiro de 2012

Recordações

"Naquele dia ele tinha lido em voz alta para ela; leu enquanto estavam deitados na relva debaixo da árvore, com uma dicção doce e fluente, uma entonação quase musical. Era o tipo de voz que devia estar no rádio, e que parecia ficar suspensa no ar enquanto lia para ela. Ela se lembrava de ter fechado os olhos, ouvindo atentamente e deixando que as palavras que ele ia lendo tocassem sua alma:


'Ela me seduz para a névoa e para o crepúsculo.
Eu me vou feito o ar, agito minhas madeixas
brancas ao sol fugidio...'



Ele folheava livros velhos, páginas marcadas com os cantos dobrados, livros que ele já tinha lido centenas de vezes. Ele lia um pouco, depois parava e os dois conversavam. Ela contava o que queria fazer na vida – as suas esperanças e sonhos para o futuro – e ele ouvia atentamente, depois prometia que faria tudo aquilo tornar-se realidade. E falava de um jeito que fazia com que ela acreditasse nele, e nesse instante ela sabia o quanto ele significava para ela. De vez em quando, quando ela pedia, ele falava de si mesmo, ou explicava por que razão tinha escolhido esse ou aquele poema e o que pensava dele; outras vezes, ele se limitava apenas a olhar para ela, daquele seu jeito intenso.


Naquele dia os dois ficaram contemplando o pôr do sol e comeram juntos sob as estrelas."

Nicholas Sparks in "O diário da nossa paixão"

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