quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As palavras que nunca te direi

"Neste cantinho à beira mar
Onde repouso e me encontro
Posso com calma finalmente pensar em nós
Posso escrever e (re)escrever súplicas e gemidos
Que nunca chegarás a ler
Posso prender o grito da cotovia
E pedir à madrugada
que se atrase
Posso suplicar aos Céus uma chuva abençoada
Que tudo varra à passagem
Que apague os meus escritos na areia da praia
Que leve pra longe as lágrimas vertidas
Pensando em ti
Para que me esqueça e te esqueça
Estou enlouquecendo aos poucos
Este silêncio que me acompanha
E que comigo geme mudamente
Beijos e carícias nunca dadas
Súplicas sentidas e caladas
Palavras que jamais te confessarei
Sonhos que jamais te direi
Desejos inconfessáveis
Que rabisco num papel
E que as lágrimas molham
Sentindo a tua falta
E assim soltando a pena
E libertando a memória daquilo que me dói
Posso finalmente confessar em voz baixinha
Que nunca deixei de te amar
E num beijo selado e lançado ao vento
Salgo lágrimas que se juntam
às vagas que se atropelam nos rochedos
Tentanto chegar mais além
E guardando com ternura
Tudo aquilo que te escrevo
Aperto contra o peito
Num grito mudo
Todas as palavras que nunca te direi..."



São Reis

Sem comentários:

Enviar um comentário