"Passou o outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.
Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?
Ficai, cabelos dela, flutuando,
E, debaixo das águas fugidias,
Os seus olhos abertos e cismando...
Onde ides a correr, melancolias?
- E, refratadas, longamente ondeando,
As suas mãos translúcidas e frias..."
Camilo Pessanha
📝✒️♥ Corações de Papel ♥ 📝✒️ "Cada livro, cada volume que lês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.” - Carlos Ruiz Zafón
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Reciprocidade
"O discípulo
abeirou-se do orientador
e queixou-se magoado:
— Instrutor amigo,
o pior de tudo em meu
aprendizado é adquirir
a ciência do relacionamento.
Creio estar lutando
inutilmente
contra a animosidade alheia...
Auxilie-me, por favor.
De que modo agir
para viver
com a intolerância e com
o azedume dos outros?
O mentor refletiu,
por alguns momentos,
e esclareceu:
-Sim a indagação é justa.
Mas para que tenhamos
uma resposta clara,
é importante considerar
que os outros, igualmente,
precisam viver contigo."
Xavier Francisco Cândido
abeirou-se do orientador
e queixou-se magoado:
— Instrutor amigo,
o pior de tudo em meu
aprendizado é adquirir
a ciência do relacionamento.
Creio estar lutando
inutilmente
contra a animosidade alheia...
Auxilie-me, por favor.
De que modo agir
para viver
com a intolerância e com
o azedume dos outros?
O mentor refletiu,
por alguns momentos,
e esclareceu:
-Sim a indagação é justa.
Mas para que tenhamos
uma resposta clara,
é importante considerar
que os outros, igualmente,
precisam viver contigo."
Xavier Francisco Cândido
Ruínas
"Desceu de todo a noite,
Pelo espaço arrastando o manto escuro
Que a loura Vésper nos seus ombros castos,
Como um diamante, prende. Longas horas
Silenciosas correram. No outro dia,
Quando as vermelhas rosas do oriente
Ao já próximo sol a estrada ornavam
Das ruínas saíam lentamente
Duas pálidas sombras:
O poeta e a saudade."
Machado de Assis in "Ruínas"
Pelo espaço arrastando o manto escuro
Que a loura Vésper nos seus ombros castos,
Como um diamante, prende. Longas horas
Silenciosas correram. No outro dia,
Quando as vermelhas rosas do oriente
Ao já próximo sol a estrada ornavam
Das ruínas saíam lentamente
Duas pálidas sombras:
O poeta e a saudade."
Machado de Assis in "Ruínas"
Um poema
"Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na
[floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição
[de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza."
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na
[floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição
[de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza."
Mário Quintana
Nunca
"Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo."
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo."
Mário Quintana
Tocar as estrelas
"Quando penso em você me sinto flutuar,
me sinto alcançar as nuvens,
tocar as estrelas, morar no céu...
Tento apenas superar
a imensa saudade que me arrasa o coração,
mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser.
(...)
É através desse tal sentimento, a saudade,
que sobrevivo quando estou longe de você.
Ela é o alimento do amor que encontra-se distante...
(...)
me sinto alcançar as nuvens,
tocar as estrelas, morar no céu...
Tento apenas superar
a imensa saudade que me arrasa o coração,
mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser.
(...)
É através desse tal sentimento, a saudade,
que sobrevivo quando estou longe de você.
Ela é o alimento do amor que encontra-se distante...
(...)
E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante..."
William Shakespeare
domingo, 29 de janeiro de 2012
Se eu morrer
"Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força
que acordarás... as fúrias do pálido e do frio,
de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,
de sol a sol sonha através de tua boca cantante.
Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.
Não quero que minha herança de alegria morra.
Não me chames. Estou ausente.
Vive em minha ausência como em uma casa.
A ausência é uma casa tão rápida
que dentro passarás pelas paredes
e pendurarás quadros no ar.
A ausência é uma casa tão transparente
que eu, morto, te verei, vivendo,
e se sofreres, meu amor, eu morrerei novamente."
Pablo Neruda in "Poemas da Alma"
que acordarás... as fúrias do pálido e do frio,
de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,
de sol a sol sonha através de tua boca cantante.
Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.
Não quero que minha herança de alegria morra.
Não me chames. Estou ausente.
Vive em minha ausência como em uma casa.
A ausência é uma casa tão rápida
que dentro passarás pelas paredes
e pendurarás quadros no ar.
A ausência é uma casa tão transparente
que eu, morto, te verei, vivendo,
e se sofreres, meu amor, eu morrerei novamente."
Pablo Neruda in "Poemas da Alma"
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Longe
"Venderam-te que o tempo nunca fosse
Enquanto não chegasse alguém de jeito
Entretinham-te em casa com novelas
À espera que o futuro nascesse feito
Tropeçámos depois pelo caminho
Estavas em baixo
Quando te encontrei
Mas havia um bailado em cada gesto
E um mar dentro de ti que nem eu sei
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti
Escolheste o caminho da aventura
E o excesso era a nossa confissão
Uma mulher nascia pl'a cintura
Pedindo que fosse eu a multidão
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti
Tracei na tua pele
Com estas mãos
O mapa entre o espanto e o regresso
Fomos tudo
Tudo o que há pra se fazer
Mas escusam de pedir
Que eu não confesso
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti
Coisas de nada
Uma canção de amantes
Coisas de tudo
Lá do fundo da memória
Há noites que não morrem neste mundo
Vidas intensas que não vêm na História
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti"
Pedro Barroso
Enquanto não chegasse alguém de jeito
Entretinham-te em casa com novelas
À espera que o futuro nascesse feito
Tropeçámos depois pelo caminho
Estavas em baixo
Quando te encontrei
Mas havia um bailado em cada gesto
E um mar dentro de ti que nem eu sei
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti
Escolheste o caminho da aventura
E o excesso era a nossa confissão
Uma mulher nascia pl'a cintura
Pedindo que fosse eu a multidão
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti
Tracei na tua pele
Com estas mãos
O mapa entre o espanto e o regresso
Fomos tudo
Tudo o que há pra se fazer
Mas escusam de pedir
Que eu não confesso
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti
Coisas de nada
Uma canção de amantes
Coisas de tudo
Lá do fundo da memória
Há noites que não morrem neste mundo
Vidas intensas que não vêm na História
Longe
Andei contigo longe
Longe
Pra estar mais perto de ti"
Pedro Barroso
Bonita
"Primeiro foram as
mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força, havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
falavas de projectos e futuro
de coisas banais, frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo, enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas"
Pedro Barroso
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força, havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
falavas de projectos e futuro
de coisas banais, frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo, enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas"
Pedro Barroso
Menina dos olhos de água
"Menina, em teu peito sinto o Tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina, em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar
Menina, em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos, nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero-te tanto
Que não vai haver menina pra sobrar
Aprendi nos Esteiros com Soeiro
E aprendi na Fanga com Redol
Tenho no rio grande um mundo inteiro
E sinto um mundo inteiro no teu colo
Aprendi a amar a madrugada
Que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
E dás rumo à fragata que escolhi"
Pedro Barroso
http://www.youtube.com/watch?v=5OduShN3muA&list=FLUeAhMnjPqe1Tkpul9FQ1Hw&index=16&feature=plpp_video
E vontades marinheiras de aproar
Menina, em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar
Menina, em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos, nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero-te tanto
Que não vai haver menina pra sobrar
Aprendi nos Esteiros com Soeiro
E aprendi na Fanga com Redol
Tenho no rio grande um mundo inteiro
E sinto um mundo inteiro no teu colo
Aprendi a amar a madrugada
Que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
E dás rumo à fragata que escolhi"
Pedro Barroso
http://www.youtube.com/watch?v=5OduShN3muA&list=FLUeAhMnjPqe1Tkpul9FQ1Hw&index=16&feature=plpp_video
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Desencontrários
"Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto."
Paulo Leminski
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto."
Paulo Leminski
Para meu coração
"Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda."
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda."
Pablo Neruda
Máquina breve
"O pequeno vaga-lume
com sua verde lanterna,
que passava pela sombra
inquietando a flor e a treva
— meteoro da noite, humilde,
dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume,
queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste
e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas
que foi seu corpo de festa.
com sua verde lanterna,
que passava pela sombra
inquietando a flor e a treva
— meteoro da noite, humilde,
dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume,
queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste
e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas
que foi seu corpo de festa.
Parecia uma esmeralda
e é um ponto negro na pedra.
Foi luz alada, pequena
estrela em rápida seta.
Quebrou-se a máquina breve
na precipitada queda.
E o maior sábio do mundo
sabe que não a conserta."
e é um ponto negro na pedra.
Foi luz alada, pequena
estrela em rápida seta.
Quebrou-se a máquina breve
na precipitada queda.
E o maior sábio do mundo
sabe que não a conserta."
Cecília Meireles
domingo, 22 de janeiro de 2012
Sinopse
“A vida é feita de escolhas, de escombros, de folhas…
Das folhas verdejantes que reluzem ao sol,
das folhas caídas, mortas, que recobrem o chão.
O mundo é feito de tempo, montanhas de tempo, já ido,
futuro aguardado, presente vivido, esquecido,
um tempo que vira passado, atirado ao léu.
Eu sou a história pequena de um tempo importante de tantas mudanças,
onde minhas pequenas andanças pelas estações já não fazem verões…
Eu fui sem ter sido,
um futuro perdido,
um passado esquecido,
um agora em vão…”
Ronaldo Souza
Das folhas verdejantes que reluzem ao sol,
das folhas caídas, mortas, que recobrem o chão.
O mundo é feito de tempo, montanhas de tempo, já ido,
futuro aguardado, presente vivido, esquecido,
um tempo que vira passado, atirado ao léu.
Eu sou a história pequena de um tempo importante de tantas mudanças,
onde minhas pequenas andanças pelas estações já não fazem verões…
Eu fui sem ter sido,
um futuro perdido,
um passado esquecido,
um agora em vão…”
Ronaldo Souza
O que significa a amizade
"Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Machado de Assis
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Machado de Assis
sábado, 21 de janeiro de 2012
Canção
"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."
Cecília Meireles
As sem-razões do amor
"Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."
Carlos Drummond de
Andrade
Os poemas
"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti..."
Mário Quintana
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti..."
Mário Quintana
Eu escrevi um poema triste
"Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!"
Mário Quintana
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!"
Mário Quintana
Sorri
| "Sorri quando a dor te torturar E a saudade atormentar Os teus dias tristonhos, vazios Sorri quando tudo terminar Quando nada mais restar Do teu sonho encantador Sorri quando o sol perder a luz E sentires uma cruz Nos teus ombros cansados, doridos Sorri, vai mentindo à tua dor E ao notar que tu sorris Todo mundo irá supor Que és feliz" Charles Chaplin |
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Ausência
"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."
Vinicius de Moraes
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."
Vinicius de Moraes
A amizade é um amor eterno
"O silêncio não quer dizer ausência, apesar da ausência reinar nos nossos dias...
Nem sempre tens tempo para mim, mas sei que posso contar contigo, que num momento de crise, estarás ao meu lado, que voltarás sempre, porque se a vida é um eterno regresso a casa, a amizade é um amor eterno."
Margarida Rebelo Pinto in "Vou contar-te um segredo"
Não gosto de dizer adeus
"Não, não gosto de dizer adeus nem de ver o fim de nada, sobretudo se não lhe vi o princípio. Prefiro dizer até um dia destes, mesmo que esse dia demore anos. Ou então, afastar-me sem uma palavra, e deixar no ar o mistério de não saber quando, como e porque é que nos voltaremos a encontrar. Assim não sou eu que ponho fim às coisas, mas as coisas que um dia acabarão ou não por si."
Margarida Rebelo Pinto in "As crónicas da Margarida"
sábado, 7 de janeiro de 2012
Gosto
"Gosto da tua boca certa e do teu cabelo farto, da tua voz cantada e aconchegante, dos teus beijos longos, dos teus abraços infinitos, das tuas piadas e risadas, dos teus braços à volta dos meus, as duas cabeças encostadas, os ombros em paralelo, as pernas dobradas e os pés juntos, gosto do teu hálito fresco e do teu sorriso aberto, da tua cabeça arejada e do teu olhar mais secreto, gosto de te ver junto ao meu peito a contar as batidas do meu coração, de sentir que estás sempre perto e sempre estarás, que vives cá dentro e mesmo na ausência, quando só te vejo com os olhos fechados e as mãos juntas em concha, sei que és perfeito, sei que voltarás, sei que estás quase a chegar, que cada minuto que passa é só mais uma etapa na minha espera, por isso espero calada e feliz, e nas letras que transformo em palavras imagino a cor e o sabor, deste amor, deixo-me levar, crescem-me asas e de repente desato a voar, a voar..."
Margarida Rebelo Pinto in "Crónicas da Margarida
Margarida Rebelo Pinto in "Crónicas da Margarida
Mais sábios que os homens
"Mais sábios que os homens são os
pássaros. Enfrentam tempestades nocturnas, tombam nos seus ninhos, sofrem
perdas, dilaceram as suas histórias. Pela manhã, têm todos os motivos para se
entristecerem e reclamarem, mas cantam, agradecendo a Deus por mais um dia. E
vocês, portadores de nobres inteligências, que fazem com as vossas perdas?"
Augusto Cury in "A saga de um pensador"
Já pensaste?
"Nós encontrámo-nos num mundo em que toda a gente anda aos encontrões. Já
pensaste o quanto isso vale?"
Margarida Rebelo Pinto in "Vou contar-te um segredo"
Margarida Rebelo Pinto in "Vou contar-te um segredo"
Apetece
"Apetece demorar naquela ponta da
ilha onde os pássaros cruzam o céu em voos secretos, apenas denunciados pelo
barulho acelerado das asas onde mudam de rumo. Apetece pairar como eles a ver
aquele lugar de cima, a pique, numa vertigem de azul infinito, numa ilusão de
paz eterna."
Laurinda Alves in "Um dia atrás do outro"
O amor, a felicidade, a vida...
"Ficarei sentado ao teu lado,
enquanto tu estiveres diante deste rio. E se fores dormir, dormirei em frente à
tua casa. E se tu viajares para longe, eu seguirei os teus passos. Até que tu me
digas: vai-te embora. Então, irei. Mas hei-de amar-te para o resto da minha
vida.
(...)
Às vezes, a felicidade é uma bênção - mas geralmente é uma conquista.
(...)
Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões. Mas tudo isso é passageiro e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé. Mas pobre de quem teve medo de correr riscos. Porque esse talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás - porque olhamos sempre para trás - vai ouvir o seu coração a dizer: «o que fizeste com os milagres que Deus semeou nos teus dias? O que fizeste com os talentos que o teu mestre te confiou? Enterraste-os bem fundo numa cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste a tua vida.»"
(...)
Às vezes, a felicidade é uma bênção - mas geralmente é uma conquista.
(...)
Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões. Mas tudo isso é passageiro e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé. Mas pobre de quem teve medo de correr riscos. Porque esse talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás - porque olhamos sempre para trás - vai ouvir o seu coração a dizer: «o que fizeste com os milagres que Deus semeou nos teus dias? O que fizeste com os talentos que o teu mestre te confiou? Enterraste-os bem fundo numa cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste a tua vida.»"
Paulo Coelho in "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei"
Às vezes é preciso
"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada
dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar,
sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos
indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e
esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer
não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima
da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a
fazer. E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e
mesmo que se oiça o coração bater desordeiramente fora do peito é preciso
domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e
esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o
desejo, a saudade, a vontade."
Margarida Rebelo Pinto in "As crónicas da Margarida"
Margarida Rebelo Pinto in "As crónicas da Margarida"
Recordações
"Naquele dia ele tinha lido em voz alta para ela; leu enquanto estavam deitados na relva debaixo da árvore, com uma dicção doce e fluente, uma entonação quase musical. Era o tipo de voz que devia estar no rádio, e que parecia ficar suspensa no ar enquanto lia para ela. Ela se lembrava de ter fechado os olhos, ouvindo atentamente e deixando que as palavras que ele ia lendo tocassem sua alma:
'Ela me seduz para a névoa e para o crepúsculo.
Eu me vou feito o ar, agito minhas madeixas
brancas ao sol fugidio...'
Ele folheava livros velhos, páginas marcadas com os cantos dobrados, livros que ele já tinha lido centenas de vezes. Ele lia um pouco, depois parava e os dois conversavam. Ela contava o que queria fazer na vida – as suas esperanças e sonhos para o futuro – e ele ouvia atentamente, depois prometia que faria tudo aquilo tornar-se realidade. E falava de um jeito que fazia com que ela acreditasse nele, e nesse instante ela sabia o quanto ele significava para ela. De vez em quando, quando ela pedia, ele falava de si mesmo, ou explicava por que razão tinha escolhido esse ou aquele poema e o que pensava dele; outras vezes, ele se limitava apenas a olhar para ela, daquele seu jeito intenso.
Naquele dia os dois ficaram contemplando o pôr do sol e comeram juntos sob as estrelas."
'Ela me seduz para a névoa e para o crepúsculo.
Eu me vou feito o ar, agito minhas madeixas
brancas ao sol fugidio...'
Ele folheava livros velhos, páginas marcadas com os cantos dobrados, livros que ele já tinha lido centenas de vezes. Ele lia um pouco, depois parava e os dois conversavam. Ela contava o que queria fazer na vida – as suas esperanças e sonhos para o futuro – e ele ouvia atentamente, depois prometia que faria tudo aquilo tornar-se realidade. E falava de um jeito que fazia com que ela acreditasse nele, e nesse instante ela sabia o quanto ele significava para ela. De vez em quando, quando ela pedia, ele falava de si mesmo, ou explicava por que razão tinha escolhido esse ou aquele poema e o que pensava dele; outras vezes, ele se limitava apenas a olhar para ela, daquele seu jeito intenso.
Naquele dia os dois ficaram contemplando o pôr do sol e comeram juntos sob as estrelas."
Nicholas Sparks in "O diário da nossa paixão"
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
As palavras que nunca te direi
"Neste cantinho à beira mar
Onde repouso e me encontro
Posso com calma finalmente pensar em nós
Posso escrever e (re)escrever súplicas e gemidos
Que nunca chegarás a ler
Posso prender o grito da cotovia
E pedir à madrugada
que se atrase
Posso suplicar aos Céus uma chuva abençoada
Que tudo varra à passagem
Que apague os meus escritos na areia da praia
Que leve pra longe as lágrimas vertidas
Pensando em ti
Para que me esqueça e te esqueça
Estou enlouquecendo aos poucos
Este silêncio que me acompanha
E que comigo geme mudamente
Beijos e carícias nunca dadas
Súplicas sentidas e caladas
Palavras que jamais te confessarei
Sonhos que jamais te direi
Desejos inconfessáveis
Que rabisco num papel
E que as lágrimas molham
Sentindo a tua falta
E assim soltando a pena
E libertando a memória daquilo que me dói
Posso finalmente confessar em voz baixinha
Que nunca deixei de te amar
E num beijo selado e lançado ao vento
Salgo lágrimas que se juntam
às vagas que se atropelam nos rochedos
Tentanto chegar mais além
E guardando com ternura
Tudo aquilo que te escrevo
Aperto contra o peito
Num grito mudo
Todas as palavras que nunca te direi..."
São Reis
Onde repouso e me encontro
Posso com calma finalmente pensar em nós
Posso escrever e (re)escrever súplicas e gemidos
Que nunca chegarás a ler
Posso prender o grito da cotovia
E pedir à madrugada
que se atrase
Posso suplicar aos Céus uma chuva abençoada
Que tudo varra à passagem
Que apague os meus escritos na areia da praia
Que leve pra longe as lágrimas vertidas
Pensando em ti
Para que me esqueça e te esqueça
Estou enlouquecendo aos poucos
Este silêncio que me acompanha
E que comigo geme mudamente
Beijos e carícias nunca dadas
Súplicas sentidas e caladas
Palavras que jamais te confessarei
Sonhos que jamais te direi
Desejos inconfessáveis
Que rabisco num papel
E que as lágrimas molham
Sentindo a tua falta
E assim soltando a pena
E libertando a memória daquilo que me dói
Posso finalmente confessar em voz baixinha
Que nunca deixei de te amar
E num beijo selado e lançado ao vento
Salgo lágrimas que se juntam
às vagas que se atropelam nos rochedos
Tentanto chegar mais além
E guardando com ternura
Tudo aquilo que te escrevo
Aperto contra o peito
Num grito mudo
Todas as palavras que nunca te direi..."
São Reis
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
O tempo acaba o ano, o mês e a hora
"O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança."
Luís de Camões
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança."
Luís de Camões
Verdes são os campos
"Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração."
Luís de Camões
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração."
Luís de Camões
Gaivota
"Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração."
Alexandre O'Neill
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração."
Alexandre O'Neill
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