"dizer-te o quanto é duro estar assim
(se tudo em quanto crera se
desfaz),
se o tu que em ti eu via era em mim:
que verei mais?
dizer-te o quão difícil foi ouvir-te,
se em tudo o que dizias -
por demás -
buscava o tu que eu via destruir-me:
que ouvirei mais?
dizer-te que eu - então - mal entendia
a ira que alterava a tua voz
e a treva que teu negro olhar vertia
por sobre nós.
dizer-te que
- talvez - entenda agora
(embora tu te percas em bemóis)
evitas-me a resposta e peroras,
falseando a voz.
dizer-te
que é assim - neste momento - ,
(clareiam-se os motivos por detrás?)
não peças que me esquive ao sentimento
de não ser mais.
e
deixa que esta dor se espraie e fique
um tempo impreciso dentro em mim,
amor que vem faz outro ir a pique:
diz-se então fim.
não sei
dizer-te - hoje! - o que virá
(pois disso se encarrega o amanhã):
qual tu dos teus, em mim, firmar-se-á
noutra manhã?
portanto não estranhes se eu sumir,
(de todo bem-querer eu me
ausentar),
se um tempo há de ser e um de partir:
por que ficar?
dizer-te: guarda tudo o que tivemos
(talvez bem te compraza
tê-lo ainda)
um pouco há, do tanto que nos demos,
que não se finda.
e segue adiante e cuida: sê feliz.
prossegue o teu caminho a céu
aberto.
se um gesto te lembrar quanto eu te quis
: estarei
perto."
Márcia Maia
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