📝✒️♥ Corações de Papel ♥ 📝✒️ "Cada livro, cada volume que lês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.” - Carlos Ruiz Zafón
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Serra-Mãe
Ai deixa, deixa lá que a Poesia
no perfume das flores, no quebrar
das ondas pela praia,
na alegria
das crianças que riem sem porquê
— deixa-a lá que se exprima, a Poesia.
Fica sentado aí onde estás, Poeta,
e não mexas os lábios nem os braços:
deixa-a viver em si;
não tentes segurá-la nos teus braços,
não pretendas vesti-la com palavras...
Se a queres ter,
se a queres sempre ver pairando à flor das coisas, fica aí
no teu cantinho, e nem respires, Poeta, e não te bulas,
p'ra que ela não dê por ti.
Não a faças fugir, toda assustada
com a tua presença...
Deixa-a, nua, pairando à flor das coisas,
que ela não sabe que a viste,
nem sabe que está nua,
nem sequer sabe que existe...
2-2-1945
Poema de Sebastião da Gama (in "Serra-Mãe", Lisboa: Portugália Editora, 1945; Lisboa: Edições Ática, Colecção Poesia, 6.ª edição, 1991 – págs. 132-133)
terça-feira, 2 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
Gosto
Gosto das palavras frágeis como gosto de ti
e a verdade é que também é frágil a minha forma de gostar-te.Tudo o que me chega de ti, palavras, beijos, luzes, injustiças,
traz essa fragilidade das dunas que lembram o teu corpo
e esse código antigo decerto herdado da primavera, antes mesmo de haver um tempo de celebração das flores.
Por vezes gostava de ser tu. Ser frágil e usar anéis
com as pedras raras da esperança, as insondáveis pedras
dos dias que hão-de vir. Mas vivo o exílio destes dias repetidos
sobre a efemeridade da pele, vogando como cisnes moribundos
em busca de uma última revelação, talvez a melodia tão pura
que possa transformar em pão não só as nossas rosas
mas também a própria liberdade.
E é por isso que amo
as palavras frágeis, essas palavras nuas que me ofereces
e que são, assim, de tão frágeis, a minha imensa força
e o meu fatal deslumbramento.
Joaquim Pessoa
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